30 de janeiro: Dia Nacional do Quadrinho

Primeira história em quadrinhos no Brasil completa 150 anos

Em 30 de janeiro de 1869 surge a primeira história em quadrinhos reconhecida e publicada no Brasil. Em um jornal chamado “Vida Fluminense” Agostini cria a história sequencial  “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, que contava a vida de um jovem de 20 anos, caipira, que se perdeu na cidade durante a estadia da corte no Rio de Janeiro.

150 anos depois, o Prêmio Ângelo Agostini, premiação exclusiva para quadrinhos e quadrinistas brasileiros, chegou à sua 35ª edição no ano de 2018. Mas como isso aconteceu? Dentro da imensidão que é o universo em quadrinhos atualmente, precisamos falar sobre como essa arte se iniciou em terras brasileiras e quem foi Angelo Agostini.

“Revista Illustrada”, fundada no Rio de Janeiro, circulando durante os anos de 1876 a 1898.

O surgimento do que classificamos como histórias em quadrinhos no Brasil tiveram origem por volta do século XIX, fazendo parte de jornais e grandes revistas brasileiras da época, com caricaturas e charges que tinham como intenção estabelecer um espaço de sátiras e leveza nas publicações.  No entanto, a novidade não agradou a sociedade durante o século XX, como é explicado no livro “Os pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil”, as histórias contadas sofreram enorme rejeição, perseguições e medidas judiciais que envolviam a exclusão total dessa linguagem em veículos impressos.

Nada disso impediu que Agostini desenvolvesse sua arte em nosso país.

 

“Cabrião” publicado em São Paulo, no Brasil, na época do Segundo Reinado. Publicado por Angelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manuel dos Reis, circulou semanalmente, aos domingos, de 1866 a 1867, contando com 51 números.

Angelo Agostini (Vercelli, Itália 1843 – Rio de Janeiro, 1910) era conhecido por suas inúmeras facetas dentro do campo artístico, como caricaturista, ilustrador, desenhista, crítico, pintor e gravador. Radicado no Brasil em 1888, começou a atuar em terras brasileiras com sua arte a partir de 1860.

Sua trajetória começou com uma reportagem sobre um incêndio ocorrido em um hotel, na cidade de Itu. Desde esta publicação sequencial, Agostini não parou de desenvolver trabalhos ilustrados. O ilustrador ficou conhecido por retratar assuntos políticos, com mensagens que não eram vistas em balões de fala, mas em caixas contendo legenda sobre a imagem.  

Finalmente, em 1866, publicou pela primeira vez o que conhecemos como história em quadrinhos no Brasil, no jornal “O Cambrião”. Nesse meio tempo, juntou-se com Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830-1882) e Sizenando Barreto Nabuco de Araújo (1842-1892) e juntos criaram a publicação Diabo Coxo¹.

Diabo Coxo/ São Paulo, fundado por Angelo Agostini e Luiz Gama em 1864.

 

Em 30 de janeiro de 1869, no jornal “Vida Fluminense”, Agostini publicou a história “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, a primeira história em quadrinhos do país.  Após essa publicação, o artista continuou ilustrando para diversas revistas como “O Mosquito” e a revista infantil “O Tico-Tico”, na qual foi responsável pela criação do logotipo. Além disso, fundou e se estabeleceu como ilustrador da “Revista Ilustrada” por mais de uma década. Esteve ainda envolvido com a revista “Don Quixote”, na qual desenvolveu “As aventuras de Zé Caipora”, e trabalhando também com a publicação “O Malho”. Porém, foi apenas em 1984, 74 anos após sua morte, que a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP)² conseguiu que a data fosse comemorada, dando o devido reconhecimento para um marco tão importante na história literária do Brasil.

A conquista marca também a criação do Prêmio Angelo Agostini, que em 2018 comemorou a 35º edição.

 

Fontes:

1 O jornal Diabo Coxo foi publicado na província de São Paulo, destacou-se por utilizar caricaturas como estratégias na compreensão de fatos sociais e dos interesses de classe emanados tanto da elite local como da vinculação com o governo imperial.

2 A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) foi criada em 1984, para reunir os profissionais da categoria, procurando defender seus interesses e abrir perspectivas para semi profissionais e incentivar os amadores a abraçar esta arte.

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