420 Anos de Diego Velázquez

Há 420 anos, na cidade de Sevilha, Espanha, nasceu Diego Velázquez - um dos maiores gênios da Era de Ouro da arte espanhola.

Em um dia como hoje, há 420 anos, na cidade de Sevilha, Espanha, nasceu Diego Velázquez – um dos maiores gênios da Era de Ouro da arte espanhola.

Filho em uma família de ascendência nobre, o jovem Velázquez desde a infância já demonstrava um talento para a pintura, algo que sempre foi incentivado por seu pai e que ocasionou em sua admisão como aprendiz de Francisco Pacheco, um dos maiores pintores de Sevilha na época.

Como aprendiz, Velázquez aprendeu sobre arte, humanismo e religião, produzindo obras de personagens bíblicos como em A Adoração dos Reis Magos (1619), mas também de pessoas do coditiano – tema pelo qual se interessava muito devido a liberdade para experimentação. Esse período ficou conhecido como sua Era Sevilhana (1599 – 1623), com composições realistas e de muito contraste entre luz e sombra.

Diego Velázquez, “Velha fritando ovos”. Óleo sobre tela, 1618. Galeria Nacional da Escócia, Edimburgo.
A casa de infância de Velázquez, que ficou abandonada por anos, ainda persiste de pé na pequena rua de pedras em Sevilha e, há cerca de um ano, foi comprada por um grupo de investidores interessados em transformá-la em um museu que valorize a memória do artista.
A casa em Sevilha onde nasceu e cresceu Diego Velázquez. (Foto: Alamy Stock Photo)
Aos 24 anos, Velázquez foi apresentado ao então Rei Felipe IV pelo o conde-duque de Olivares. Felipe IV, que também era pintor e conhecedor da história da arte, percebeu ali um talento fora do comum e o levou para o palácio, onde Velázquez produziria, como pintor oficial da corte espanhola, os mais memoráveis trabalhos de toda sua carreira.
A corte espanhola e o estilo sombrio de Velázquez pareciam se completar. O palácio escuro e a aparência não convencional de boa parte dos nobres que ali habitavam tornava o ambiente ideal para o pintor, que gostava de evidenciar esses aspectos através das sombras, do contraste de luz, e de tons pretos e marrons em suas composições.
Diego Velázquez, “O Bufão Juan Calabazas”, 1637-1639, Museu do Prado, Madrid. / Diego Velázquez, “Felipe IV em Roupa de Caça”, 1632-1633, Museu do Prado, Madrid.
Após 1628, ao conhecer Peter Paul Rubens, pintor flamengo de estilo barroco, Velázquez é incentivado a ir conhecer a arte italiana, especialmente em Veneza e Roma. Com a permissão do rei Felipe IV, ele leva seu trabalho à Milão, Veneza, Parma e ao Vaticano.
É durante sua estadia na Itália que seu estilo muda ao abandonar a paleta majoritariamente escura para tornar-se um grande colorista. Utilizando o que aprendeu com os venezianos sobre contrastes de vermelhos, rosa e púrpura, Velázquez desenvolveu paletas mais ricas sem ser dissonante ou perder seu estilo individual – característica importantíssima para o mestre que raramente assinava as próprias obras, pois julgava que seu traço já era sua maior assinatura.

 

Diego Velázquez, “Vênus ao Espelho”, c. 1647. Óleo em tela, 1,22m x 1,77m. National Gallery, Londres.
Ao retornar à Espanha, novamente confinado ao palácio e com os mesmos modelos para pintar, Velázquez estabeleceu definitivamente seu lugar como um dos maiores pintores da história ocidental ao inovar em trabalhos que superaram os limites do rigoroso regimento para os retratos da corte. O maior exemplo de sua excelência e ousadia é, também, o seu trabalho mais importante e mais famoso: Las Meninas.
Diego Velázquez, “Las Meninas”, 1656. Óleo em tela. 318 cm × 276 cm. Museu do Prado, Madrid.

Considerado pelo filósofo frânces Michel Foucault como “um enigma epistemológico” e, por alguns especialistas, como um dos quadros mais importantes da história, Las Meninas é o ponto culminante da arte de Velázquez. É nessa tela que o mestre, de forma engenhosa, compõe uma cena viva, intelectualmente complexa, movimentada e que desperta no espectador mais perguntas do que respostas. Ao colocar-se no quadro, ao lado da nobreza, Velázquez não apenas quebra o rígido protocolo real, mas também reflete sobre os limites do retrato e da pintura.

Influência para outros grandes mestres da arte como Delacroix, Manet e Picasso, bem como referência para o movimento impressionista, Velázquez, hoje, completa 420 anos de um legado imortal na história da arte.

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