50 anos de Stonewall: Monumento em Nova York irá homenagear ativistas trans pioneiras no movimento

Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera serão as ativistas homenageadas pela cidade. O monumento deve ficar pronto até 2021.

Junho é reconhecido como o mês do Orgulho LGBTQ e, em 2019, é também o aniversário de 50 anos de um dos momentos mais importantes na história da luta LGBTQ no mundo: o levante de Stonewall.

No dia 28 de Junho de 1969, um grupo de policiais invadiu o bar Stonewall Inn, em Nova York – um dos poucos lugares em que a comunidade LGBTQ podia se reunir de forma segura. Foi durante essa invasão que o público decidiu lutar contra a brutalidade policial, dando inicio a uma série de protestos que durou vários dias, e servindo como o pontapé inicial para um movimento muito maior em prol dos direitos LGBTQ em todo o mundo. A data ficou marcada como A Revolta ou O Levante de Stonewall.

Em 2016, o então presidente americano, Barack Obama, designou o pequeno parque em frente ao Stonewall Inn como o primeiro monumento nacional dedicado à população LGBTQ. Três anos depois, outros dois monumentos em homenagem a importantes figuras do levante de Stonewall foram anunciados, marcando meio século desde a origem do Mês do Orgulho LGBTQ: O Monumento Virtual do Google em conjunto com Centro Comunitário LGBT de Nova York: “Stonewall Forever” (clique no link para acessar a obra interativa do Google), e o futuro monumento que irá celebrar duas ativistas pioneiras no movimento em Nova York.

Stonewall Forever, de acordo com o Google, é uma obra interativa digital para quem quiser conhecer mais sobre o evento que serviu como catalizador para tantos outros levantes pró-LGBTQ em diversos países. Caso você seja LGBTQ+, é possível adicionar sua própria história ao monumento. E para quem está em Nova York, também é possível “entrar” na obra utlizando um app de realidade aumentada.

Stonewall Forever. Google LLC

Marsha e Sylvia

No valor de aproximadamente 750 mil dólares, a obra de arte que será erguida na cidade de Nova York irá homenagear duas importantes mulheres trans que estiveram presentes no levante de Stonewall e se tornaram pioneiras no ativismo LGBTQ: Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera.

A obra será um dos primeiros monumentos públicos dedicados a pessoas transgênero no mundo. A decisão também faz parte do projeto que busca diminuir a desigualdade de gênero em representações artísticas em locais públicos da cidade.

Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera em protesto pelos direitos LGBTQ. (Foto: Reprodução)

Marsha P. Johnson, nascida em 1945, era ativista, drag queen e, em suas palavras, uma sobrevivente. Conhecida por ser uma importante figura durante a revolta de Stonewall, Marsha P. Johnson sempre trabalhou em prol da juventude LGBTQ em situação de vulnerabilidade econômica e pessoas afetadas pela epidemia de AIDS/HIV.

Nas palavras de Susan Stryker, professora de estudos de gênero e mulheres na Universidade do Arizona, Marsha pode ser percebida como a mais marginalizada das pessoas – uma mulher negra, queer, transgênero e pobre – e que, por isso, poderíamos esperar que fosse uma pessoa frágil e abatida, porém “Marsha tinha essa alegria de viver, uma capacidade de encontrar felicidade em um mundo de sofrimento. Ela transformava essa energia em ações políticas, e o fazia de forma feroz, reagindo de maneira absurdamente elegante a tudo isso.”

Marsha P. Johnson faleceu aos 46 anos vítima de um afogamento, no verão de 1992, e seu nome e legado sobrevivem por aqueles que são eternamente agradecidos por todo seu trabalho e luta de vanguarda que abriu portas para as mudanças pró-LGBTQ nos Estados Unidos.

Marsha P. Johnson fotografada por Andy Warhol para a série de Polaroids “Ladies and Gentlemen”, em 1975.

Sylvia Rivera, nascida em 1951, ativista, mulher trans, drag queen e de origem latina, foi morar sozinha em Nova York com apenas 11 anos de idade, sendo obrigada a se prostituir como meio de sobrevivência. Marsha P. Johnson foi a sua primeira amiga na cidade e, assim, as duas iniciaram juntas projetos de acolhimento e suporte à população LGBTQ marginalizada. Entre eles, a dupla fundou, em 1970, o “Street Transvestite Action Revolutionaries” (STAR) – um grupo que, além de oferecer suporte emocional, também operou um abrigo para jovens que, por conta de sua orientação sexual ou de gênero, foram expulsos de casa por suas famílias. Sylvia e Marsha eram as “mães” do abrigo e financiavam seu funcionamento utilizando o dinheiro que ganhavam performando trabalhos sexuais.

Após a morte de Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera continuou seu trabalho como ativista até sua morte em 2002, aos 50 anos, vítima de um câncer no fígado. Parte de suas pautas mais recentes foram voltadas à necessidade de pessoas trans e mulheres lésbicas tomarem a frente do movimento que, até então, era majoritamente dominado por homens gays. Em 2001, ano anterior ao seu falecimento, ela também ressuscitou o grupo STAR – que formou uma importante liderança em direção ao progresso pelos direitos da população LGBTQ norte americana.

Sylvia Rivera fotografada em Nova York por Justin Sutcliffe.

O monumento que irá homenagear as ativistas deve ser anunciado ao longo desse mês de junho em comemoração aos 50 anos do levante de Stonewall. Até então não foi divulgado quem será a artista responsável pelo monumento, e sua localização só será decidida após consulta com a comunidade local.

Oficiais porta-vozes do governo de Nova York afirmam que a espectativa é de que a obra esteja completa até o final de 2021.

Sylvia Rivera e Marsha P. Johnson. (Foto por Diana Davies)

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