Artista Gê Alvez é indicada ao Prêmio PIPA

Maranhense escolhida para Programa Bolsa Pampula da Prefeitura de Belo Horizonte usa fotomontagem e fotoperformance para disseminar sua expressão artística

Através de suas produções, Gê Viana conquistou uma das 76 colocações no importante prêmio PIPA 2019. Com sua arte voltada para a pesquisa do corpo, se criou um novo estilo de visualizar o cotidiano das pessoas, sejam elas performances no quesito artístico ou durante o cotidiano.

Gê Viana é uma artista graduada no curso de Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e já teve sua obra vinculada em exposições realizadas em Brasília, Minas Gerais, São Paulo e no seu próprio estado, Maranhão.

A artista explica seu processo criativo da seguinte forma: “Penso no legado deixado pelxs fotógrafxs que denunciaram em cliques o cotidiano das grandes metrópoles, guetos e povos tradicionais. O meu trabalho se desenvolve no ato de fotografar corpos que assume vários recortes com a fotomontagem, retornando um segundo corpo e gerando lambe-lambe em experimentos de intervenção urbana/rural. Venho na busca por uma expressão artística não-linear, lanço-me sobre a pesquisa do corpo performático e dos corpos abjetos pela cultura colonizadora hegemônica e seus sistemas de arte e comunicação , (corpos marginalizados e invisibilizados) A partir de um processo em Santos com Lívia Aquino, pesquisadora do campo das artes visuais, resolvi pesquisar a “imagem precária” e os meios de apropriação das fotos históricas de fotojornalistas, já que na maioria dos meus trabalhos ver-se o uso de outras camadas fotográficas”.

“Paridade”, 2019, fotografia e fotomontagem, primeira camada: “Nelson Lópes Sol”, de Gê Viana, segunda camada: “D. Tilkin Gallois (aldeia Taitetuwa, 1991).”, fotografia de Louis Herman Heller

Além de seu processo criativo, a artista fala sobre a arte ser a sua forma de resistência, principalmente por ser descendente de índios, negra e atuante na luta LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros e Intersexual). “Eu tento fazer uma narrativa que provoca uma reflexão da ideia de futuro. De como a gente pode estar resistindo por meio dessas camadas fotográficas, dessas imagens, criando uma nova narrativa”, Da Série Paridade (2017), eu faço um contraponto com indígenas que foram assassinados com remanescentes que ainda estão vivos, que estão resistindo, que sabem das suas lutas, de sua história”, ressaltou Gê Viana.

Gê Viana se vê inspirada para continuar a trabalhar no mundo artístico, além do mais, em março deste ano, a artista foi selecionada para o Programa Bolsa Pampulha da Prefeitura de Belo Horizonte. Trata-se de uma residência artística, que ocorre em Belo Horizonte, para 10 artistas, após seis meses participam da exposição voltada para a apresentação de seus trabalhos desenvolvidas nesse período.

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