Centro de arte na Califórnia será dedicado à Irmã Corita Kent, freira que uniu pop art e justiça social

Para a diretora do Centro de Arte Corita, Nellie Scott, preservar os trabalhos de Corita Kent é importante sobretudo pelo "quão relevante o trabalho e a mensagem é para o nosso atual clima político"

Corita Kent (1918–1986), freira da Igreja Católica que utilizou a Pop Art como ferramenta de ativismo para promoção da paz e justiça social, irá ganhar um espaço dedicado a seu trabalho em Los Angeles em 2020. O centro de arte que leva o nome da Irmã anunciou que está arrecadando fundos para a abertura de uma galeria para acomodar seus trabalhos gráficos.

Para a diretora do Centro de Arte Corita em Los Angeles, Nellie Scott, preservar os trabalhos de Corita Kent é importante sobretudo pelo “quão relevante o trabalho e a mensagem é para o nosso atual clima político”, e que a abundância de alegria e cores vibrantes em suas obras servem como um acalento para a alma, mas que sua mensagem é um chamado para ação política que atinge, de forma única, cada espectador.

Corita Kent (c. 1966). Foto: Centro de Artes Corita, em Los Angeles

Sofrendo grande influência de Andy Warhol, especialmente após uma exposição na Ferus Gallery em 1962, Corita adotou uma nova postura em sua arte – que até o momento era focada em questões internas e na vida espiritual da artista, e passou a observar e retratar o cotidiano.

Para Alex Fitzgerald, um dos diretores da galeria Andrew Kreps (Nova York), o trabalho de Kent é subestimado, com “muito foco [em Corita Kent] como uma personalidade ou figura pública, e não na importância de seu trabalho”. Fitzgerald ressalta ainda que “muitos artistas a admiram e se inspiram em sua capacidade de combinar um visual esperançoso e alegre com um olhar político.”

Corita Kent, “Rainha do Mar” (1967). Foto por Dawn Blackman, cortesia do Centro de Arte Corita em Los Angeles.

Eventualmente, tanto Kent quanto as Irmãs do Coração Imaculado se posicionaram a favor de ideias mais progressistas do que a Igreja Católica na época, o que culminou em sua saída da vida religiosa em 1968, quando se mudou para Boston.

Corita Kent faleceu em 1986, deixando alguns de seus trabalhos para a Universidade de Harvard e para o Hammer Museum na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Todos seus outros bens, incluindo obras, esboços e diários, foram destinados à Comunidade do Coração Imaculado – que fundou o centro de arte que leva seu nome, em 1997.

Corita Kent, “solw” (1967). Foto por Dawn Blackman, cortesia do Centro de Arte Corita em Los Angeles.

O espaço planejado para receber as obras de Corita Kent está previsto para inaugurar em 2020 e tem intenção de expandir o Centro de Arte Corita que, atualmente, ocupa um pequeno espaço em cima do antigo ateliê da artista e tem o acesso ao público muito limitado. Para Nellie Scott, “a expansão vai nos permitir preservar seu legado, obras de arte e escritos (inúmeros escritos pungentes e educativos) para as futuras gerações. Certamente está na hora de uma artista de seu calibre ter um espaço que reconheça seu trabalho e esteja à sua altura.”

Corita Kent, “road signs (parte 1 e 2)”, (1969). Foto por Dawn Blackman, cortesia do Centro de Arte Corita em Los Angeles.
Corita Kent, “amor no fim”, (1969). Foto por Dawn Blackman, cortesia do Centro de Arte Corita em Los Angeles.

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