Louvre tem dificuldades para montar próxima exposição de Leonardo da Vinci

A exposição que marca os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci despertou problemas diplomáticos entre França e Itália.

É comum que durante a montagem de exposições de grandes artistas hajam impasses envolvendo o empréstimo de obras, muitas vezes os museus precisam, inclusive, assegurar as obras com parte de seu próprio tesouro como garantia. No entanto, a exposição que marca os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci no Museu do Louvre de Paris tem sido conturbada também por questões diplomáticas.

Vincent Delieuvin, curador da exposição, pretende expor oito ou nove pinturas de Leonardo – cerca de metade das obras sobreviventes do artista. O Louvre atualmente tem cinco pinturas do mestre graças a passagem de Leonardo pela França a convide do então rei Francisco I – entre elas está a Monalisa (1503), uma das principais obras de Leonardo e do Louvre, mas que ficará de fora da exposição por não poder ser movida de sua posição atual. A falta da Monalisa, porém, não é a principal dor de cabeça do curador no momento.

Franck Riester, ministro da cultura francês, viajou à Milão em fevereiro para tratar sobre alguns dos empréstimos com o ministro italiano Alberto Bonisoli. Após o governo italiano demonstrar relutância em fazer os empréstimos, o ministro francês lembrou que a França sempre esteve disposta a colaborar com a Itália ao emprestá-los importantes obras de grandes artistas – por exemplo, os empréstimos feitos à Expo Milão 2015: La Belle Ferronnière (1495-99) e São João Batista (1513-16). Riester também ofereceu sua assistência para o evento do quinto centenário da morte de Rafael que deve acontecer em 2020 em Roma. Após negociações, o Ministério da Cultura italiano afirmou que estão prontos para colaborar com o museu francês.

Leonardo da Vinci, A Anunciação (L’annunciazione), 1472-1475. Galleria degli Uffizi, Florença, Itália.

Com parte do conflito resolvido em Milão, o principal desafio está, agora, em Florença. O diretor da Uffizi, Eike Schmidt, ameaçou publicamente renunciar ao cargo caso os empréstimos sejam aprovados em seu museu. A Galeria Uffizi possui o primeiro desenho conhecido assinado e datado pelo artista (A View of the Arno) e, mais importante, a obra “Anunciação”, de 1472.

O Louvre começou a solicitar empréstimos para a exposição sobre Leonardo há pelo menos 4 anos. A maioria deles são empréstimos de desenhos e já foram garantidos em Veneza, Roma, Turim e Parma, incluindo La Scaglipiata (c. 1508) da Galeria Nazionale de Roma. Veneza também concordou em emprestar várias de suas obras, mas ainda não deu uma resposta em relação ao icônico Homem Vitruviano (1490).

Outros importantes trabalhos foram solicitados, entre eles obras do Vaticano, da Royal Collection do Reino Unido, do Museu Kunsthistorisches de Viena, de museus alemães e a obra “Salvator Mundi” (c. 1500), aquisição “desaparecida” do Louvre Abu Dhabi. O Museu do Louvre de Paris ainda não confirmou se esses empréstimos serão concedidos.

Leonardo da Vinci, Homem Vitruviano, 1490. Lápis e tinta sobre papel, 34×24. Gallerie dell’Accademia, Veneza, Itália.

 

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