Senado francês rejeita a ideia de um pináculo mais moderno para a Notre-Dame

A reconstrução da tradicional catedral francesa tem gerado debates entre especialistas e o governo.

Há cerca de um mês e meio a Catedral de Notre Dame, na França, ardeu em chamas e comoveu boa parte do mundo. Desde então, têm sido apresentados por artistas e arquitetos do mundo todo projetos arquitetônicos de reconstrução que diferem do modelo original da igreja, a fim de modernizá-la e registrar que o incêndio agora faz parte da história do monumento.

Entre as diversas propostas apresentadas para substituir a icônica torre de Notre Dame, estão opções inusitadas como uma escultura de labaredas de fogo, um raio de luz em direção ao céu, um jardim público, um teto feito inteiramente com vitrais, e até uma grande piscina. Porém, nesta segunda-feira, o Senado francês votou que a catedral deve ser restaurada, o mais próximo possível, à mesma aparência de antes do incêndio.

Uma das sugestões de modernização do pináculo da igreja, elaborada pelo arquiteto Vincent Callebaut

Dois dias após o acidente, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, havia afirmado que o governo lançaria um concurso internacional para sugestões de reconstrução da torre. No entanto, diferentes opiniões sobre os planos para a catedral acenderam um debate entre diversos especialistas pelo mundo e, sobretudo, entre os franceses. A principal discordância é entre os que buscam preservar as tradições e aqueles que querem modernizá-la. Emmanuel Macron, atual presidente da França, já disse que não se opõe a um modelo “arquitetônico contemporâneo” que poderia tornar a Notre Dame “ainda mais bonita”.

Decisão do Senado

O Senado francês analisou o projeto de lei que rege a proposta de restauração da torre que já havida sido aprovado em parlamento, e definiu que o modelo tradicional é o que deverá ser seguido. Além disso, o projeto também afirma que a reconstrução da igreja ficará pronta até 2024, a tempo dos Jogos Olímpicos que acontecerão em Paris. O prazo foi duramente criticado por diversos especialistas, historiadores, arquitetos, conservacionistas e curadores, que assinaram uma carta aberta no jornal Le Figaro alertando os perigos de seguir com um projeto tão complexo de forma apressada.

Outra cláusula removida do projeto de lei pelo Senado foi a que daria ao governo liberdade sobre as regulamentações ambientais e patrimoniais que, normalmente, regem projetos de construções na cidade. O projeto propõe, ainda, a criação de uma nova agência no Ministério da Cultura da França que ficará encarregada de supervisionar a obra.

Após a revisão do Senado, o projeto retorna ao parlamento para análise e aprovação.

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