Uma intensa seca na Espanha revelou um monumento megalítico visto pela última vez há quase 60 anos

Moradores da região falam sobre o inesperado retorno do monumento e se animam com a oportunidade de testemunharem o redescobrimento de um tesouro histórico que há muito estava escondido do mundo.

Por Thayná Rodrigues

Um conjunto de rochas megalíticas está visível pela primeira vez em quase 60 anos em Estremadura, na Espanha. O monumento, que já foi chamado de “Stonehenge espanhol”, é conhecido como o Dólmen de Guadalperal e existe há cerca de 7 mil anos, embora desde 1963 ficasse submerso pela Reserva de Valdecañas, construída pelo então ditador espanhol Francisco Franco em uma tentativa de caminhar rumo à modernização do país na época.

Moradores da região falam sobre o inesperado retorno do monumento e se animam com a oportunidade de testemunharem o redescobrimento de um tesouro histórico que há muito estava escondido do mundo.

Menir no dólmen de Guadalperal. Foto: Ruben Ortega Martin, Raices de Peraleda

O desafio agora é contra o tempo. Angel Castaño, morador da região e presidente de uma associação cultural espanhola, falou ao website The Local sobre a necessidade de se preservar o dólmen antes do retorno das chuvas que irão encher a reserva novamente e re-submergir o monumento. O plano atualmente é mover o monumento para outro local. “O que quer que seja feito, precisa ser feito com muita cautela”, diz Castaño, devido às condições do solo de granito que é propenso à erosão. “Pode custar caro, mas a parte mais difícil de conseguir nós já temos: esse incrível monumento histórico. … O dinheiro é a parte mais fácil. O passado não se compra.”

O dólmen consiste em aproximadamente 140 menirs — rochas megalíticas de até 2 metros de altura — organizadas em uma formação circular, gravadas com símbolos de serpentes e, assim como o famoso Stonehenge, no Reino Unido, ninguém sabe ao certo quem as colocou ali e os motivos que os levaram a isso. Evidências indicam, inclusive, que o dólmen de Guadalperal pode ser até 2 mil anos mais antigo que Stonehenge.

Para Castaño, essa pode ser uma chance única de salvar um importante tesouro histórico. “Nós crescemos ouvindo sobre a lenda do tesouro escondido sob o lago, e agora, finalmente, temos a oportunidade de vê-lo.”

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